Resenha: O Lado Feio do Amor (Ugly Love) - Colleen Hoover

15.7.15


 Embalada na leitura de "Losing It" de Cora Carmack resolvi ler um dos romances mais comentados da autora Colleen Hoover que é Ugly Love. 
 No Brasil esse livro tem previsão de lançamento para o próximo mês pela editora Record e o título em português foi traduzido como "O lado feio do amor", então para aqueles que não estão com vontade de ler em inglês, a versão nacional já se encontra em pré-venda nas maiores livrarias online.
 Desde já devo avisar que essa resenha terá vários trechos em inglês do livro, pois eu necessito comentar certas partes da narrativa e provavelmente alguns spoilers aparecerão no meio dos comentários, porém avisarei antes de contar qualquer parte reveladora. Outra questão importante é que essa resenha será totalmente negativa, pois eu destetei o romance criado por Collen Hoover. Portanto se você leu a história e se apaixonou pela narrativa e seus personagens, não aconselho ler essa resenha já que minha opinião sobre os elementos que compõem esse livro não será em nenhum momento favorável.
 Feito os avisos iniciais, vamos ao breve resumo da obra. "Ugly Love" é um livro considerado "young adult" (novo adulto) e conta a história de Tate uma mulher de 23 anos que após terminar com seu namorado muda-se para o apartamento do irmão Corbin que é piloto de avião. A moça tinha a vida planejada, iria fazer mestrado, arrumar um emprego em sua área de formação e procurar um lugar para morar sozinha assim que conseguisse se estabilizar financeiramente, porém ela não planejava em conhecer Miles.
 Miles é o mocinho dessa história. Com 24 anos, o rapaz também trabalha como piloto e é "vizinho" de Corbin, morando de frente para seu apartamento. Miles e Tate se conhecem em uma situação pouco comum, o mocinho desmaiado de bêbado em frente a porta do apartamento de Corbin impede Tate no dia da mudança de entrar na casa.  Ao ligar para o irmão, Tate descobre que Miles é seu amigo e ajuda o desconhecido a entrar dentro do apartamento, iniciando-se assim a história de ambos.
 A atração sexual entre Miles e Tate é criada desde o primeiro contato visual, assim com o passar do tempo quando Miles propõe à Tate um relacionamento baseado apenas em sexo, a moça topa sem hesitação. Porém as regras impostas por Miles sobre nunca perguntar sobre seu passado e não esperar um futuro amoroso entre ambos complicam o relacionamento de nossos protagonistas.
 Isso é o fim da resenha sem spoiler, a partir desse momento se você não leu o livro peço que não continue a leitura dessa resenha, pois a história será desvendada nos próximos parágrafos e eles terão spoilers. Feito esse aviso, vamos seguir em frente.
 Já li dois livro dessa autora e me desapontei com ambos, que foram "Caso Perdido" e "Métrica", porém não odiei tanto como odiei "Ugly Love".
 Collen Hoover tem a mania de poetizar seus livros, portanto durante a narrativa alternada entre o ponto de vista de Miles e Tate, os capítulos do personagem masculino eram escritos em versos. Meus problemas começaram nesse exato momento, pois escrever versos não é sinônimo de criar poesia e a escrita em versos da autora nada mais eram do que prosa com estrutura de sonetos. Demorava mais lendo os capítulos de Miles do que os de Tate, porém ignorei os problemas e prossegui com a leitura.
 A alternância entre capítulos ocorre porque a autora conta a história de Miles em "flashback", ou seja vemos o que ocorreu em sua vida para o moço se fechar para o amor e os relacionamentos. Ao acompanhar sua história como adolescente descobrimos que Miles teve um romance complicado com Rachel e que desse primeiro amor foi gerado um filho que infelizmente não sobreviveu e isso é o grande segredo que arruinou a vida de Miles e fez ele jurar que nunca mais amaria ninguém em toda sua vida.
 Enquanto isso no tempo presente ele propõe a Tate o relacionamento baseado apenas em sexo e depois da mocinha aceitar a proposta, vemos a dificuldade de desenvolver esse relacionamento físico sem nenhum tipo de envolvimento emocional da parte dos protagonistas.
 Foi nesse exato momento da proposta que eu soube o ódio que esse livro iria gerar na minha vida. Tate simplesmente é a mocinha mais sem auto-estima que o universo fictício já presenciou. Ela aceita as regras e termos propostos por Miles, mesmo sabendo que ela iria acabar criando laços amorosos com ele, na esperança de que ele iria nutrir sentimentos por ela após eles fazerem sexo em todos os momentos livres de suas agendas. E quando digo que eles fizeram sexo em todas as folgas que tiveram, é porque eles realmente fizeram sexo durante O LIVRO INTEIRO. Simplesmente acabava o capítulo de Miles, íamos para o presente com a narrativa de Tate e lá estava ela fazendo sexo com Miles: "We're doing exactly what we agreed to do in the beginning, which was to have sex. A lot of sex. Shower sex. Bedroom sex. Floor sex. Kitchen-table sex."
 Eu entendo que é um romance adulto, que a intenção é descrever os beijos, as preliminares e o sexo que os mocinhos fazem, porém eu perdi a conta de quantas cenas de sexo eu li durante esse livro. Era transa em todos os lugares e cada cena me decepcionava mais. A cena de sexo em cima da mesa da cozinha foi a gota d´água na leitura, tirando a descrição dos gritos exagerados da mocinha que cantava ópera toda vez que Miles encostava nela.
 Depois deles terem feito sexo na cama dela, na cama dele, no tapete da sala, na mesa da cozinha e em alguns outros cômodos do apartamento, Miles chama Tate para terminar o "relacionamento" e a nossa heroína faz a seguinte questão:  "The thought of not being with him again makes my stomach feels hollow. "What did I do to upset you so much?". Bia diz: "Pois é amiga, você realmente chateou ele estando disponível para fazer sexo toda vez que ele estalou os dedos e te chamou" *ironia.
 Depois de tudo isso, a mocinha ainda insiste em Miles até que um dia ela o pressiona demais, pedindo muitas informações pessoais de sua vida a ponto de fazê-lo chorar ao lembrar-se de seu passado. O que nos leva a mais uma cena de sexo, na qual Miles chama equivocadamente Tate de Rachel. 
 Após esse ocorrido, Tate finalmente resolve sair um pouco de cena e ignorar Miles, porém mesmo assim ela fica com medo de seguir em frente com a vida e arrumar seu próprio lugar para morar: "I do wonder, though, how it will affect things between Miles and me. I think that's one of the reasons I haven't mentioned that I was even looking for my own place. There's fear in the back of my mind that not being right across the hall from him will become too inconvenient, and he'll just call off whatever is going on between us" - Bia bateu com o kindle na cabeça lendo esse trecho.
 Quando o mocinho percebe que ela seguiu em frente, ele finalmente resolve visitar Rachel e descobrir como ela tinha seguido com a vida após tudo o que aconteceu entre eles e ao descobrir que seu amor adolescente se casou e teve um filho, Miles resolve seguir em frente e ser feliz com Tate. Até agora me pergunto se o livro teria um final feliz se Rachel não tivesse seguido em frente, me fazendo acreditar que Miles e Tate continuariam envolvidos no relacionamento apenas sexual e nada mudaria.
 O final do livro só deixou claro que o amor de Miles por Rachel é muito maior do que qualquer sentimento que ele nutria por Tate, pois ele só se permitiu ser feliz e amar de novo após confirmar o bem estar de Rachel. Em nenhum momento ele conversou com Tate e expôs a situação, contou o que ocorreu em seu passado e porque ele tinha medo de se envolver com alguém, se ela era tão importante ele tinha que ter conversado com ela antes de procurar Rachel.
 O final clichê e a resolução perfeita e rápida do relacionamento de Miles e Tate só provam o quanto a escrita da autora é falha, pois se ela resolvesse o conflito de Miles no meio da narrativa poderíamos reduzir o livro pela metade.
 Sei que milhares de pessoas amam esse livro, portanto me forcei a terminar sua leitura para comprovar o que eu já sabia: chega de ler Colleen Hoover. Porém como toda leitora curiosa estou louca para ver como a adaptação cinematográfica desse filme irá ficar, já que ele beira a narrativa de 50 tons de cinza só que sem o sadomasoquismo.


Classificação: 1 de 5 estrelas.

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2 comentários

  1. Todo mundo falando bem desse livro que um dia até me deu vontade de lê-lo, mas eu meio que senti que a mocinha ia ser burra, então não segui pra frente com a ideia. Bom pra mim! ;D

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  2. ADOREI essa resenha. Eu gosto muito dessa sinceridade. Escrever só sobre livros que gostamos pode ser fácil né, difícil é ler até o final e ainda fazer uma resenha sobre um que não nos conquista.
    Acho que vou ficar só no filme, por enquanto!
    Beijos.
    http://www.baseadoemlivros.blogspot.com.br

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