sábado, 26 de dezembro de 2015

Resenha: Cold-Hearted Rake (The Ravenels #1) - Lisa Kleypas



 "Cold-Hearted Rake" é o mais novo romance de época da minha querida autora Lisa Kleypas, essa obra marca o início da série "The Ravenels" e apresenta ao leitor todos os membros dessa nova excêntrica família literária. 
 O primeiro livro dessa série irá acompanhar o romance entre a viúva Kathleen e Devon Ravenel. Logo no início da narrativa o leitor descobre que o marido de Lady Trenear, Theo Ravenel, faleceu tragicamente após sofrer uma queda de um cavalo durante seu passeio matinal. Após sua triste perda, a viúva e as três irmãs de Theo descobrem que toda a herança da família irá parar nas mãos de um primo distante, sendo Devon Ravenel o mais novo responsável por cuidar das propriedades, fortunas e destinos dessas quatro moças desamparadas.
 Devon e seu irmão mais novo West são dois libertinos irremediáveis e a última coisa que desejam é herdar qualquer tipo de responsabilidade e é exatamente esse o motivo que fazem os irmãos quererem vender imediatamente Eversby Prior, a propriedade rural e ultrapassada que Theo e sua família habitavam.
 Desesperados para se livrarem desse fardo indesejado, os irmãos vão até a propriedade negociar sua venda, porém nos poucos minutos de estadia, Devon conhece Kathleen e imediatamente suas intenções de ficar alheio aos problemas de Eversby Prior vão por água abaixo.
 Extremamente parecido com o primeiro livro da série "Os Hathaways", esse novo livro da Lisa Kleypas diferencia-se por apresentar uma família onde todos apresentam problemas de temperamento explosivos. Theo era tão irritante com sua personalidade estressada que nem mesmo as irmãs e sua esposa sofreram muito sua perda. 
 Os outros membros da família como Devon; West; Helen (a irmã mais velha) e as gêmeas Cassandra e Pandora sofriam o mal de serem nervosos e irritados ao extremo e no caso de Devon essa característica era agravada pelo fato dele ser um canalha que não tinha intenção de casar, ter filhos ou apaixonar-se por alguma mulher.
 Após cinco anos sem lançar nenhum romance de época, Lisa Kleypas decepciona imensamente os leitores com essa obra. Com poucos elementos originais e protagonistas irritantes, o leitor tem que respirar fundo várias vezes para prosseguir com a leitura.
 Em um momento de honestidade, informo que a partir do próximo parágrafo irei realizar uma resenha negativa desse livro (talvez ofender um pouco o mocinho e a mocinha) e positivamente contar tudo aquilo que me irritou durante a leitura dessa obra, portanto essa resenha terá spoilers.
 Antes de me exaltar, preciso dizer que eu adoro a escrita da Lisa Kleypas e que esse livro foi uma exceção à regra. Se você não está familiarizado com a autora recomendo a leitura do livro "Segredos de Uma Noite de Verão" (para ler todo o meu amor por essa obra é só clicar no nome do livro), garanto uma leitura prazerosa e divertida. 
 Agora convido todos a lerem o resto da resenha e compartilharem minha frustração com esses protagonistas teimosos e muitas vezes irritantes.


 Ao finalizar a leitura desse livro tudo o que eu mais queria era poder gritar com a autora por ter criado mocinhos tão chatos. Antes de escolher ler "Cold-Hearted Rake" já havia lido várias resenhas negativas sobre a obra, porém como uma leitora desconfiada e curiosa não deixei-me abater com os comentários sobre o mocinho ser estúpido ou idiota, entretanto confesso que dessa vez me arrependi pela teimosia.
 Devon é odiado por muitas leitoras ao redor do mundo e até a metade do livro não estava entendendo o motivo de tamanho rancor com relação ao herói, todavia após passarmos aproximadamente do capítulo dez o temperamento dos Ravenels resolveu aparecer.
 O problema de Devon, na minha visão, foi que as posses das propriedades subiram um pouco em sua cabeça e agravou sua personalidade mandona com todos que estavam ao seu redor. Confesso que se esse fosse o único problema de Devon eu ainda conseguiria relevar algumas de suas chatices, porém o homem resolveu ser um dos mocinhos mais estúpidos do universo dos romances literários.
 Com uma personalidade extremamente realista e pouco romântica, nosso herói começou a me irritar quando propôs um affair à Kathleen, mesmo a moça tendo contado à ele que não havia consumado seu trágico casamento de três dias e ainda era virgem. 
 Pensei, em minha inocência, que o rapaz iria agir de forma mais cavalheira com a moça, porém o ser humano teve a coragem de dizer à garota que não teria nenhum problema eles terem um relacionamento físico, já que a sociedade não esperava mais nenhum tipo de virgindade ou pureza de sua parte. Bia diz ao mocinho fictício: "dane-se a sociedade amigo, ela acabou de te contar que não consumou o casamento e você vem com essa grosseria?".
 Até esse momento da narrativa eu estava defendendo cegamente a mocinha, porém depois de um beijo roubado e algumas carícias mais picantes, Kathleen entrega-se à Devon por vontade própria e após o ato de amor inicia-se a conversa mais sem sentido do livro sobre que tipo de relacionamento eles teriam.
 Devon queria ter um caso com Kathleen, porém a moça recusa-se a manter um affair com o rapaz decidindo que eles poderiam dormir juntos quando ambos tivessem vontade. Bia diz (grita) à mocinha: "AMIGA ISSO É A MESMA COISA QUE TER UM CASO COM ELE!".
 No cérebro de Kathleen, se ela não aceitasse as condições de Devon, ela teria o controle da relação. Porém o que nossa pouco esperta garota não percebeu era que ficar com ele quando ela queria, é ter um affair do mesmo jeito ("a ordem dos fatores não altera o produto").
 Depois desse "combinado" nossos protagonistas resumiram-se a brincar de "gato e rato" pela propriedade, já que Devon perseguia Kathleen o tempo todo para saber se ela não estava interessada em realizar o ato sexual no chão, no estábulo, na carruagem ou em qualquer outro local disponível.
 Óbvio que toda essas brincadeiras acabariam gerando uma consequência e um belo dia o mocinho não foi rápido o suficiente durante o ato físico para evitar uma gravidez indesejada. Espera-se que depois de toda essa intimidade, Devon já tenha descoberto que ama Kathleen e não se importe com o fato deles terem um filho, porém o nosso ignorante herói grita com a moça e passa uns dias sem conversar muito com ela, pois estava nervosinho com a situação e consequentemente culpava Kathleen (a inexperiente no assunto) por ter permitido tal problema. Nesse momento já tinha perdido a fé em tudo, porém as coisas pioram.
 Os protagonistas estavam longe de salvarem esse livro e eis que Lisa Kleypas começa a desenvolver o relacionamento da irmã mais velha Helen com Rhys Winterborne. Após sofrer um acidente de trem, o rapaz ficou hospitalizado na residência da família Ravenel e Helen era a única pessoa que Rhys permitia cuidar dele (mesmo sem conhecê-lá).
 Apesar do déjà vu que nos lembra a história de Kev Merripen e Win Hathaway, estava me apegando ao casal, porém eis que surge outro problema. Rhys e Devon resolvem discutir as questões financeiras da família Ravenel (que beiravam a falência) e Devon propõe à Winterborne casar-se com Helen de forma que sua fortuna iria ajudá-lo a financiar os gastos da família.
 Em um diálogo arcaico os mocinhos discutem o preço da garota e após conversarem, Rhys chega a conclusão que o casamento seria benéfico à ele, já que ao casar-se com Helen (uma garota de sangue nobre) ele poderia adentrar em outras camadas da sociedade (coisa que não podia fazer já que era um simples comerciante sem relação com a aristocracia). Nesse momento já fiquei desencantada com o segundo casal que protagonizará a próxima obra dessa série, porém ainda tinha esperanças de algum milagre salvar esse relacionamento.
 Helen toma conhecimento das intenções de Rhys, aceita seu pedido de cortejá-la e rapidamente eles ficam noivos. O moço aproveitando dessa posição, tentar arrancar uns beijos da moça que entra em pânico com seus avanços íntimos e conta à Kathleen sobre o ocorrido e nossa enxerida mocinha vai romper o noivado de Helen com Rhys, sem nem pedir permissão à garota (bate com o kindle na cabeça).
 Kathleen destruiu todo meu amor por ela, ao ser uma falsa moralista com os outros membros da família. A garota cobrava decoro e comportamento de todos, porém quando lhe era conveniente nossa heroína não hesitava em romper as regras da sociedade.
 Todos esses problemas e acontecimentos absurdos foram causados pelo declínio na escrita de Kleypas. O romance entre Kathleen e Devon foi insubstancial e com pouco aprofundamento nos diálogos  a combinação desses dois protagonistas foi tediosa. No final, tornou-se difícil de acreditar nas juras de amor de Devon e o final feliz de ambos.
 Apesar de adorar ler sobre os outros personagens, incomodei-me com o fato de ler tanto sobre o romance de Helen e Rhys nesse primeiro livro, senti que os casais disputavam a atenção do leitor no livro que supostamente deveria conter apenas um único romance.
 Theo que deveria ser um personagem póstumo, porém importante foi pouco abordado e ninguém conseguiu entender o que as personagens femininas do livro sentiam com relação à ele. O mesmo problema ocorre entre outros tipos de relacionamento, como Kathleen e suas cunhadas, não senti um entrosamento grande entre as garotas e fiquei com saudade da família Hathaway e todo o amor que eles esbanjavam entre si.
 Apesar de todo o desgosto que tive com esse livro não vou desistir da série, isso se deve pelo único e exclusivo motivo de confiar em Lisa Kleypas para melhorar essa família bagunçada e esses protagonistas explosivos.
 Espero do fundo do coração que o segundo livro "Marrying Winterborne" seja maravilhoso, pois de todos esses atrapalhados Ravenels, Helen foi a única que conseguiu me conquistar durante essa narrativa e eu acredito (e espero) que a garota dê um jeito de fazer seu relacionamento com Rhys dar certo. Agora só nos resta esperar o mês de maio de 2016 para descobrir que fim levou esse romance.


Classificação: 2,5 de 5 estrelas.


2 comentários:

  1. Olá!
    Estão saindo muitos livros de época né?! Quando eu vi a capa desse livro eu associei na hora com os da Kiera Cass. Ainda não tive oportunidade de ler nenhum desse tipo, mas morro de curiosidade, porém, pela sua resenha, acho que não será esse!!

    Parabéns pela resenha e pelo blog. É lindo! Estou seguindo :D

    Beijão e Boas Festas!
    Leitora Cretina

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    1. Nem tinha reparado que essa capa realmente lembra um pouco os livros da Kiera Cass rs Dê uma chance para os romances de época, eles são ótimos para distrair a cabeça.) Esse livro não foi um dos melhores, porém todos os outros livros da Lisa Kleypas e da Julia Quinn são ótimos e acredito q vc irá adorar qlq um deles .D

      Obg pelo comentário e por seguir o blog ,)

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