quinta-feira, 5 de maio de 2016

Resenha: A Libélula no Âmbar (Outlander #2) - Diana Gabaldon


"Os homens dos clãs escoceses lutavam de acordo com suas antigas tradições. Desdenhando a estratégia, a tática e a sutileza, seu método de ataque era simplesmente a própria simplicidade. Detectando o inimigo dentro de seu alcance, deixavam cair os xales, sacavam a espada e avançavam para cima do inimigo, berrando a plenos pulmões. A gritaria gaélica sendo como é, este método em geral era bem-sucedido. Muitos inimigos, vendo a multidão de banshees cabeludos, seminus, lançando-se sobre eles, simplesmente acovardavam-se e fugiam"

 Palavras não podem descrever os inúmeros sentimentos que tenho em relação a Outlander e todo seu universo, uma vez que meu coração foi irreversivelmente conquistado no momento em que ouvi pela primeira vez a música de abertura do seriado de televisão (a.k.a conhecida como "Skye Boat Song").
 Feita a breve declamação de amor, eu peço à vocês desculpas antecipadas pela falta de coesão; coerência; linearidade e clareza de pensamento no decorrer dessa resenha que  provavelmente não será longa (porque eu não tenho emocional para isso) e terá spoilers.
 Se você não leu o 1º livro da série, peço que por favor leia esse livro o mais rápido possível. Juro que vocês não irão se arrepender, pois essa é uma série linda e maravilhosa que prende a atenção do início ao fim. Assistam também o seriado e sejam felizes com a fidelidade existente entre a adaptação e sua obra literária (necessário dizer que a adaptação televisiva não é recomendada para menores de idade).
 Se você também não leu o 2º livro da série, eu espero que você tome ânimo, leia e volte aqui em breve para poder compartilhar comigo suas opiniões e sentimentos (insira um emoji de carinha piscando nesse espaço, para manter a entonação animadinha dessa resenha).
 Desejo sorte à todos aqueles que seguirão em frente comigo nesse texto, pois meus sentimentos com relação a esse livro estão extremamente descontrolados e confusos e eu não sei nem por onde começar a me explicar, mas vamos com fé.
 Após ler o 1º livro dessa série em 2014, confesso que não estava nem um pouco animada para ler sua continuação e o motivo disso era a premissa frustante de "A libélula no âmbar" que apresentava o seguinte parágrafo: "Claire Randall guardou um segredo por vinte anos. Ao voltar para as majestosas Terras Altas da Escócia, envoltas em brumas e mistério, está disposta a revelar à sua filha Brianna a surpreendente história do seu nascimento."
 Bia pensa (e grita em revolta): "Oi? Claire Randall guardou um segredo por vinte anos? VINTE ANOS? Brianna, who? Brianna filha do Jamie, que está com 20 ANOS e foi CRIADA POR FRANK RANDALL? Quer dizer que CLAIRE ABANDONOU JAMIE? Porque o Jamie não morreu! Diana Gabaldon escreveu 8 livros dessa série e isso quer dizer que o JAMIE NÃO MORREU!"
 Então seguindo essa linha de raciocínio, pouco complicada e confusa, acabei adiando a leitura do segundo livro por 2 anos. O que me fez mudar de opinião foi a estreia da 2ª temporada de Outlander, a esse ponto concluí-se que sou extremamente suscetível nessa vida.
 Superando meus ataques de ansiedade ao segurar esse pequeno livro da grossura de um tijolo (o sarcasmo não tem fim), finalmente iniciei a leitura e como era de se esperar as 100 primeiras folhas foram difíceis de ler.
 O leitor é apresentado aos novos personagens como Roger e Brianna, enquanto Claire após o falecimento de Frank finalmente começa a vasculhar o passado em busca de todas as respostas para suas dúvidas. É durante essa primeira parte que Claire também resolve contar à Brianna toda a verdade sobre sua paternidade e origem, dando inicio a um flashback digno de "How I Met Your Mother", onde Ted demorou 9 anos para contar à seus filhos como conheceu a mãe deles (não deu para evitar a comparação e nem a digressão).
 Ultrapassando essa pesquisa inicial, finalmente Diana Gabaldon resolve nos contar o que aconteceu após Claire e Jamie embarcarem em um navio com destino à França (Vive Les Frasers!). Óbvio que as coisas não seriam simples para o casal, chegando lá eles rapidamente arrumam sua cota de problemas para lidar e não cabe a mim contar todos os percalços pelos quais eles passaram (esqueci de comentar que esse livro tem quase 1000 páginas e eu sou péssima em resumos?)
 O importante é que essa etapa na França foi ótima e ágil, inúmeros personagens novos aparecem e eu virei fã número 1 de Fergus. O pequeno menino conquistou meu coração e a cada nova revelação de sua vida eu ficava cada vez mais comovida com as atrocidades que essa criança sofreu. Não gosto nem de pensar o que aconteceu com ele no meio daquela batalha fatídica em Culloden (vamos deixar para sofrer no próximo livro dessa série).
 Alguns outros fatos que merecem destaque durante esse período francês, foi o trabalho de Claire no L'Hôpital des Anges; seu envolvimento com Raymond e a aparição das figuras históricas da época como o membros da monarquia Stuart.
 Na minha visão de leitora, o que fez essa obra ser melhor do que a primeira, foi justamente a exploração da história verídica da Escócia. Gabaldon insere esses célebres personagens, fazendo-os interagir com os seres de sua própria criação de maneira a explicar para o leitor o que foi a Batalha de Culloden, como ela ocorreu e porque ela foi um fracasso de enormes proporções para os escoceses. Era possível sentir a perda e a dor daqueles homens que lutavam cegamente por seu país, morrendo em nome daquilo que acreditavam ser uma causa honrosa.
 Ao mesmo tempo que criamos empatia pelos novos personagens, ressurge nomes já conhecidos pelos leitores, como Black Jack Randall. Duas coisas me incomodaram nesse livro e a 1ª delas foi o fato de Claire proibir Jamie de matar Randall, por causa de Frank.
 Jamie e Claire achavam que Jonathan tinha morrido após aquele horrível acontecimento com Jamie durante seu confinamento e portanto, se isso realmente tivesse ocorrido, o nascimento ou existência de Frank já estariam comprometidas. Então quando Claire não deixa Jamie matar o homem que destruiu sua alma, com medo de Frank morrer, eu fiquei muito brava com a moça.
 Jamie teve um coração de ouro ao atender inicialmente o pedido de sua mulher, porém como nada é simples nessa série, várias outras complicações ocorrem e levam Claire à um aborto espontâneo. Essa foi uma das partes mais tristes e delicadas da obra, onde a autora usou e abusou de suas habilidades para fazer o leitor sentir toda a dor e dificuldade pela qual a protagonista passou.
 Falando em partes tristes, vamos dar um "salto" no livro e falar do momento em que eu chorei como uma criança desmamada: A separação final do casal antes da batalha de Culloden, onde Jamie praticamente contava as horas que ainda estava vivo.

"- Eu a encontrarei - murmurou ele em meu ouvido. - Eu prometo. Ainda que tenha que suportar duzentos anos de purgatório, duzentos anos sem você, esse será meu castigo, que eu mereci pelos meus crimes. Porque eu menti, matei e roubei; traí e quebrei a confiança. Mas há uma única coisa que deverá pesar a meu favor. Quando eu ficar diante de Deus, eu terei uma única coisa a dizer para contrabalançar o resto.
Sua voz diminuiu, até quase se transformar num sussurro, e seus braços apertaram-me com mais força.
- Meu Deus, o Senhor me deu uma mulher especial e, Deus! eu a amei demais."

 Bia durante a leitura dessa parte: "Diana Gabaldon, aqui está meu coração, agora pega ele com as duas mãos e quebra de uma vez. CAUSE IT HURTS TOO MUCH!".
 Desde 2009/2010 eu não chorava lendo um livro e isso foi o fato definitivo para essa obra entrar na minha lista de favoritos. O amor entre Claire e Jamie amadureceu e evoluiu durante a narrativa e foi tão bonito ver como o casal, independente de tudo, sempre conseguia resolver seus problemas e ficarem juntos. Por maior que fosse a distância física ou mental, em nenhum momento eles desistiram desse relacionamento e quando Jamie chega a conclusão de que não há nenhuma maneira de ficar com Claire e ela deve voltar para Frank, eu simplesmente chorei por eles.
 De volta a 2ª coisa que me incomodou (chega de melodrama, porque se eu ficar lembrando demais dessa parte final do livro vou abrir o berreiro de novo) foi o fato de Claire ter ficado 20 anos no presente com Frank.
 Por mais que tudo seja devidamente explicado e fundamentado, eu queria que a separação entre o casal protagonista tivesse sido menor. Desejava ver Jamie com Brianna, sendo pai e criando o bebê que ele amava antes mesmo dele existir.
 O problema de 20 anos terem se passado é que mesmo quando Claire voltar para reencontrar Jamie (porque é óbvio que ela vai voltar), não faço a mínima ideia de como o relacionamento entre eles será agora. Ambos evoluíram e construíram uma vida completamente distinta da que tinham e eu morro de medo que a essência desse casal seja perdida nos próximos livros da série (nível de obcecada - falar dos personagens fictícios como se eles fossem reais).
 Conto com a maestria de Gabaldon para não destruir o que foi tão perfeitamente executado durante esse livro. A escrita da autora é o último ponto dessa resenha que merece ser citado. Diana Gabaldon escreve de um modo tão envolvente e ao mesmo tempo realista que o leitor fica interessado em ler qualquer coisa que saia da mente dessa autora.
 Sempre seguindo a corrente do realismo, a autora usa e abusa do naturalismo que é uma ramificação dessa escola literária e eu fiquei boquiaberta com a maneira como ela aprimorou as descrições das coisas; pessoas e o modo de vida de determinada época e local, praticamente transportando o leitor para aquele período.

"A coceira era endêmica; acomodações apertadas e falta de higiene tornavam os piolhos do corpo tão comuns a ponto de não suscitarem mais nenhuma observação quando um dos homens arrancava um espécime representativo de uma prega de seu xale e o atirava no fogo"

 O livro é grande, a série é extremamente longa e ainda não possui um desfecho (já que a autora está escrevendo o nono livro dessa saga), porém fazia anos que não me envolvia seriamente com uma obra igual a essa, a ponto de enrolar um pouco para finalizar a leitura pelo simples fato de não querer dizer adeus à esses personagens.
 Como sempre tudo é uma questão de gosto e momento certo, portanto fico feliz que peguei "A libélula no âmbar" no período exato da vida (agora, com licença, que eu vou lá rever o episódio de casamento desses dois e fingir que o mundo é lindo).


Classificação: 5 de 5 estrelas + <3

2 comentários:

  1. Aiiii, eu já li este livro no ano passado (estou agora a ler o 3º livro) e ler esta resenha fez-me recordar tudo o que eu senti ao ler e que estou agora a sentir ler a série!!!! *emoji de olhinhos de coração*
    Eu não senti que demorei a entrar na história, mas lá no meio do livro li mais lentamente e senti-me mais 'desmotivada' com a história mas também não durou muito e devorei este livro :)

    Cat @ Amarelo Pastilha-Elástica

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    1. Oi Cat, fico feliz que você gostou da resenha .) Estou louca para ler o 3º livro dessa série, mas vou demorar um pouco para iniciar sua leitura (não estou emocionalmente pronta para ele ainda rs). Eu tbm me 'desmotivei' um pouquinho durante a leitura, principalmente quando faltavam umas 200 páginas para o final, mas acredito que diminui o ritmo da leitura para o livro não terminar rápido demais ahaha Obg pela visita e comentário .D

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