Resenha: My Lady Jane - Cynthia Hand, Brodi Ashton, Jodi Meadows

8.7.16


 Era uma vez, uma menina (a que vos escreve) desiludida com o universo literário, pois havia meses não encontrava um único livro agradável para ler. Já em estado de crise (beirando quase o desespero) essa garota descobriu (quase sem querer) o lançamento da obra "My Lady Jane" e após apaixonar-se pela capa e pelo enredo prometido pelas autoras, decidiu comprar o livro. E essa foi a melhor decisão da sua vida.
 Para não me perder em inúmeros elogios à essa obra, vamos tentar organizar essa resenha por partes e começar pela sinopse desse livro (lindo e maravilhoso). "My Lady Jane" é basicamente uma releitura da história verídica da rainha (flopada) Jane Grey, seu marido Gifford Dudley e seu primo (outro rei fracassado) Edward Tudor. Todos esses personagens, encontravam-se na Inglaterra Medieval no período onde a dinastia Tudor  dominava (ou pelo menos tentava) o mundo todo.
 Diferente do destino trágico e real dessas três figuras históricas (spoiler alert: na vida real eles morrem prematuramente), as autoras de "My Lady Jane" resolveram criar suas próprias versões cômicas e mágicas sobre os fatos que marcaram esse momento conturbado na história da Inglaterra.
 Então em nosso livro temos o Rei Edward, um menino de 16 anos que apresenta uma doença fatal e provavelmente irá morrer jovem, porém sua única preocupação no momento era beijar uma garota antes de falecer (#prioridades).
 Com um rei praticamente debilitado, seu fiel conselheiro Dudley, diz ao garoto que ele deve nomear imediatamente um sucessor ao trono, pois ele não poderia deixar a coroa para suas irmãs (porque no período medieval o terror da rapaziada era colocar as mulheres no poder). Então o garoto nomeia sua prima Jane como sucessora e a garota deve casar-se imediatamente com Gifford Dudley, para gerar o mais rápido possível um herdeiro do sexo masculino que possa governar o país.
 Jane não ficou nem um pouco empolgada com a notícia, já que a mocinha estava em um relacionamento sério com seus livros, porém a garota estava pronta para acatar com seu dever (sua mãe também não iria deixar a coitada desistir). O que nossa pobre Lady Jane ainda não sabia era que seu futuro marido, Gifford, era um Edian e passava todos os seus dias como um cavalo (what!?).
 Nesse universo (mágico e aloprado), as pessoas eram divididas entre aqueles que eram Edians e Verities. Edians eram seres que transformavam-se em animais (e na opinião de muitos moradores davam má fama à Inglaterra), já os Verities eram pessoas normais, como eu e você.
  Então agora, além de evitar seus trágicos destinos nossos protagonistas ainda teriam que lutar contra essa maldição que possivelmente era hereditária e conciliar suas vidas adolescentes com os inúmeros problemas que lhes eram apresentados (pois é, não tá fácil para ninguém).

   Piadas à parte, "My Lady Jane" é um verdadeiro bálsamo aos leitores que andam desiludidos com o gênero "jovem adulto", pois as autoras conseguem criar um livro cômico; fofo e leve com uma temática inteligente.

 Nenhuma frase desse livro, ou invenção mágica eram inúteis ou criadas apenas para aumentar o número de páginas. Nota-se claramente todo um trabalho de pesquisa por trás da elaboração desse livro e foi ótimo perceber as várias analogias criadas pelas autoras para dar humor à obra. 
 Ao inventar os Edians (que claramente simbolizavam os Protestantes) e o Verities (que representavam os católicos) as autoras brincavam com o leitor ao dizer que Mary (filha de Catarina de Aragão) apresentava uma grande aversão aqueles que transformavam-se em bichos e tinha vontade de queimar todos eles (o que na vida real infelizmente aconteceu, já que a rainha ficou conhecida como "Blood Mary" devido ao seu governo tirano).
 Em um momento de opinião pessoal, acredito que para gostar e aproveitar totalmente esse livro, você deve ter pelo menos uma empatia com a história verídica aqui retratada, pois a graça da obra é ler a tiração de sarro feita pelas escritoras com relação aos personagens e a época. Então se você não conhecer pelo menos um pouquinho sobre o assunto, talvez o livro não fique tão engraçado assim (ele não vai deixar de ser cômico, mas talvez alguns elementos interessantes e legais podem passar despercebidos). 
 Deixando de lado toda essa questão histórica da obra, vamos discutir (brevemente) o quanto esse livro como obra de ficção foi bem escrito. Até agora eu ainda não consigo entender como três pessoas, com cérebros diferentes foram capazes de criar uma obra tão coesa e coerente. O livro era narrado sobre três pontos de vistas (Jane, Edward e Gifford) e todos os capítulos ligavam-se harmoniosamente, sem nenhum problema de execução.
 O enredo e os personagens apresentaram uma evolução tão linear e perfeita que eu cheguei a ficar comovida. O livro tem começo; meio; fim e ainda apresentou tudo aquilo que foi prometido na premissa o que já me convenceu a classificá-lo com 5 estrelas. É nessas horas que eu penso, como livros "filhos únicos" (ou standalone) fazem falta nesse universo, vocês não fazem ideia a satisfação que é ler um livro que apresenta um desfecho e não tem continuação (parece até milagre).
 Como se já não bastasse toda essa perfeição, eis que veio a temática feminista; um romance inesperado e os personagens mais fofos do universo literário para agregar ainda mais a formosura da obra toda.
 Adorei o jeito como a autora colocou e discutiu a questão do papel da mulher na sociedade daquela época (e dos tempos atuais também), os personagens masculinos que tinham tudo para serem chatos e comportarem-se como homens superiores surpreenderam-me com sua doçura e compreensão. Foi divertido ler Edward preocupando-se com coisas que geralmente as moças ficam preocupadas e essa leve inversão de papéis foi encantadora de ler (chega de mulheres com problema de autoestima).

"He thought, I will never find love (...)
He thought, I will never feel a woman's touch (...)
Edward thought, I am never going to consummate anything. I'm going to die a virgin.
And he felt more sorry for himself than ever."

 Além disso, as autoras criaram um romance tão bonitinho entre Jane e Gifford, daqueles que os leitores suspiram e invejam ao mesmo tempo. Edward também conhece uma mocinha para permear seus sonhos, mas o romance principal entre Jane e G foi tão bonitinho que no desfecho do livro eu estava igual criança assistindo filme da Disney torcendo pelo final feliz desses dois.
 Jane, também merece destaque, pois nossa protagonista é "gente como a gente" e sua característica marcante é que ela adora livros. Apesar desse ser um traço bastante explorado no universo literário, em Jane o fato dela amar livros não foi chato ou entediante, pelo contrário, era hilário ver como a moça ficava desapontada ao perceber que nem tudo o que acontecia em suas obras de ficção poderia ocorrer na vida real (quem nunca?).
 E o mais legal era ver como Gifford lidava com essa situação, ora ameaçando derrubar os livros da moça no chão ora tentando achar um livo para acalmar a garota (Gifford <3)

"Was she going to faint? Or would she consider that a very cliché thing for a woman to do? Desperate to console her, he almost considered shouting, Quick, someone, get her a book! Any book!"

 Com direito a aparições de Mary - Rainha da Escócia e seu futuro marido Rei Francis, além das citações sobre Henrique VII e todas as suas esposas e uma dedicatória inesquecível no começo do livro para os fãs de Titanic ("For everyone who knows there was enough room for Leonardo DiCaprio on that door") , "My Lady Jane" ganhou instantaneamente todo meu coração.
 Se você procura algo diferente; engraçado; romântico e sem continuação esse é o livro ideal (independente disso, vamos deixar claro que essa obra é perfeita para qualquer ocasião).
 Agora tudo que eu espero é que essas autoras reúnam-se novamente e façam um livro nesse mesmo estilo sobre minha diva eterna Anne Boleyn, porque Anne Boleyn arrasa (*drop the microphone and walk away*).


Classificação: 5 de 5 estrelas + <3

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4 comentários

  1. Olá, Bia, amei sua resenha! Eu já estava com vontade de ler este livro pelo fato de gostar de história e pensei que este livro poderia ser muito divertido, agora quero adiantar esta leitura! A capa é super fofa, assim como o hardback roxo com o cavalo dourado. Fico feliz em saber que apesar de escrito por três autoras, a estória do livro não teve "furos".
    Abraços!

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    1. Obg pela visita e pelo comentário Tali .D Esse livro é muito fofo e engraçado, além disso a narrativa é realmente impecável. Acredito q vc irá adorar essa obra tbm .)

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  2. Eu não imaginava que esse livro era assim!
    Quando eu vi a capa, eu já fiquei bem interessada, mas como não sou de ler as sinopses, não vi do que se tratava, e pela sua resenha, parece ser um livro maravilhoso!
    Eu adoro a parte da história abordada pelas autoras, e pensar que alguém conseguiu reescrever isso de um jeito engraçado me faz querer muito ler! Já tô indo comprar e botar na frente de todos os outros!
    :)

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    1. Ana, eu simplesmente adorei esse livro (como vc mesma já percebeu). Ele é muito fofo e tem aquele jeito de conto de fada/animação da Disney. Corre pra ler ele rs Espero q vc goste tanto quanto eu e se divirta bastante durante a leitura .D
      Beijos

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